Paris multiracial

Um sonho de viagem - Crônica 10

         A ida ao encontro Bpista, começou logo pela manhã do dia 06/06, quando saímos da casa de Maurice, levando numa enorme bolsa, roupas e sapatos para a festa. Como estaríamos longe de Saint Germain en Laye, decidimos, pernoitar em um hotel de Barbèss, desta forma não teríamos que retornar cedo devido ao horário do metrô e aproveitaríamos para, no dia seguinte ir a um “banho turco” , assim prometera minha amiga.

Chegando à Barbèss tem-se a impressão de estar na África, ou mesmo em Salvador. O bairro estava em plena efervescência de uma manhã de sol. Negros de todos os portes e matizes, não só na pele, como nas vestes multicoloridas. Na feira, pregões em dialetos diferentes, as bancas plenas de frutos e legumes, a maioria na cor verde. Na vitrine das lojas se vê roupas típicas com muito brilho. Cheguei a pensar em comprar um vestido de noiva, para usar em alguma apresentação de teatro.

Depois de localizarmos onde ficava o Blue Note, fomos à procura de uma hospedagem o mais próximo possível.  Decidimos por um hotelzinho pintado de branco, próximo à feira. O quarto tinha uma sacada de onde podíamos observar o movimento da rua. Mas a mesma sacada dava acesso ao quarto ao lado, através do gradil  quebrado.

Preocupadas com a segurança de nossos pertences, fomos conversar com o proprietário. Minha amiga com sua natural simpatia e tagarelice, descobriu que ele era um francês de origem argelina e descobriram que tinham algo em comum: o marido dela era nascido em Maskára, a  mesma cidade do hoteleiro.

Descansamos um pouco e descemos para fazer uma refeição. Embora predominem os magrebinos, Barbéss apresenta uma multiplicidade racial. No restaurante, cujos proprietários eram migrantes gregos, conseguimos conciliar vontades : eu de comer massa e Cleide de tomar chá de menta. Estavámos à mesa, quando uma jovem de origem oriental veio nos oferecer relógio, que vende clandestinamente.
Seguimos em busca de um cabeleireiro. Preferi entrar num que me pareceu ser mais adequado para cabelos afros como o meu, mas o preço cobrado assustou minha amiga, que me fez recuar, garantindo que a moça estava cobrando pela cara do freguês. Teria eu cara de turista rica?  Em outro, fui atendida por um rapaz de origem indiana. Ele fez uma escova com alisamento perfeito da raiz do cabelo. Igual a ela só uma outra vez, num salão em Belo Horizonte, quando eu ainda usava os cabelos no estilo black-power.
As nove da noite chegamos ao Blue Note. Para nossa surpresa J. Pierre e Silvana estavam lá. Assim, nossa volta para o hotel às duas horas da madrugada, foi tranqüila, eles nos deixaram à porta.


Escrito por Vânia Beatriz às 10h13
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